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2 0 1 229 de Janeiro
Enfim um texto novo. Em A Bíblia e o Universo Aquático, demonstro que a visão original da bíblia sobre o universo é ainda mais estranha a nossas concepções atuais do que
a maioria sequer imagina, apesar de ser cristalinamente evidente no próprio texto bíblico. Sobretudo, remete à idéia de CAOS primordial, em perfeita consonância com a maioria das mitologias, e cosmogonias em geral, que não podem prescindir do conceito de Caos.
A consequência imediata disso para a discussão é mostrar, mais uma vez e de uma forma bem mais dramática, que a interpretação literal da Gênese não tem cabimento para qualquer um que pense poder extrair uma leitura compatível com nossos conhecimentos atuais.
(Parte do texto A EVOLUÇÃO DO CRIACIONISMO) 1 - O MENOR DOS PROBLEMAS é que
se por um lado podemos ter certeza de que algo foi projetado, nunca teremos se não o foi. Ninguém acreditará
que uma escultura de barro com a forma perfeita do Cristo Redentor foi formada apenas pela erosão e pelas chuvas, mas por
outro lado uma coisa completamente disforme, típica das montanhas ou das pedras, além de poder ser resultado de ações
naturais, TAMBÉM PODE SER RESULTADO DE AÇÃO INTELIGENTE! Temos a Arte Moderna e Abstrata para não deixar dúvidas quanto
a isso.
Por isso, se partirmos da hipótese de que a vida não foi planejada, essa hipótese poderá ser testada, pois bastará achar
uma coisa suficientemente perfeita para fazer esse teste, como os próprios criacionistas admitem. Mas se partirmos da hipótese
contrária, de que a vida foi planejada, nunca poderemos testá-la, pois como já vimos, qualquer evidência em contrário também
poderá ser resultado de design.
2 -
Os grandes problemas começam quando notamos que temos que trabalhar sempre com hipóteses de planejamentos locais. Se acharmos
algo que nos convença ser obra de inteligência, só podemos admitir que AQUILO em si foi projetado, pois se admitirmos
isso para tudo o mais, pelo motivo acima, qualquer desenvolvimento teórico seria inviabilizado. Assim, é perfeitamente
possível que tenhamos estruturas projetadas e não projetadas convivendo no mundo, e isso nos permitiria apenas pressupor
um designer restrito.
Se achássemos que o sistema imunológico é intencionalmente projetado, teríamos que considerar a intervenção apenas
nesse caso, visto que diversos outros sistemas não são tão eficientes, e o simples fato de que seria muito mais plausível
que seres inteligentes tenham tentado aumentar nossas chances de sobrevivência fazendo apenas isso, do que seres que
tivessem feito tudo construiriam doenças e depois o sistema imunológico, tendo o dobro de trabalho. Planejamento PRESSUPÕE
eficiência.
3 -
Disso, quer sejam inteligências extraterrestres de ordem natural ou mesmo divindades específicas, permitiriam supor sempre
planejadores imperfeitos, o que aliás tenderia a ser fortemente corroborado pelas evidências disponíveis. Talvez de vários
planejadores trabalhando em áreas diferentes, as vezes até em conflito uns com os outros.
Mas é claro que isso não interessa aos criacionistas, pois eles querem empurrar o deus bíblico, que é supostamente perfeito,
e aí ficará a pergunta: Como explicar a imperfeição na criação de um ser perfeito?
4 -
Aí, essa suposta nova ciência imediatamente se revelará a velha teologia, pois a explicação inevitável é que um ser perfeito
projetou tudo, mas algum evento introduziu a imperfeição no mundo, o que resultaria em todas as irregularidades, defeitos
e até perversões. Estaremos então de volta ao problema clássicos da teologia cristã, que explica a corrupção da criação
devido ao pecado original mas caí perpetuamente nas contradições da Existência do Mal e da Onipotência, Onisciência X
Livre Arbítrio, Justiça Divina X Inferno Perpétuo e etc.
Ou seja, qualquer tentativa de teorizar sobre o designer gerará ou uma teoria sobre um planejador imperfeito que
não interessa ao criacionismo, ou desmascarará instantaneamente qualquer véu de honestidade científica, deixando claro que
tudo não passa de reafirmação do velho conservadorismo religioso.
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A partir de agora, darei um destaque maior a alguns dos textos produzidos no Livro de Visitas, visto que grande parte, a maior, do material deste site está lá, e acaba ficando escondida, obscurecida pela sucessão interminável de mensagens. É uma forma de reaproveitamento de material, ao menos enquanto não reformular visualmente este site, visto que pelo tamanho, está ficando difícil localizar alguns temas.
Há 10 anos venho dizendo que o Criacionismo "Científico" e seus filhotes mutantes, o Design Inteligente e as ditas "Teorias da Informação e Complexidade", são incrivelmente simples em sua estrutura e pretensões. Enquanto uma produção científica normal, por mais que envolva pressupostos e preconceitos, acaba funcionando na forma de construções de teorias para explicar fenômenos observados, criacionistas funcionam na forma de fabricação de "fenômenos" para se acomodar a uma visão prévia de natureza que nem sequer é uma teoria. Os cientistas só tiveram sua visão de natureza devidamente definida após a Revolução Biológica do século XIX, os criacionistas, e adeptos do planejamento, já a tinham completamente definida desde a fundação de suas religiões! Os crentes já "sabem" tudo o que querem saber sobre o assunto. Enfim, qualquer descoberta que enfim venha a acontecer, ao mesmo tempo que muda os rumos da pesquisa científica, em nada afetará as crenças prévias de quem acha ter acesso privilegiado a instâncias divinas da natureza. Se não fizer diferença para seu pré-conceito, o crente pode adotar as novas evidências, mas se for entendida uma incompatibilidade séria com os pressupostos religiosos, simplesmente a recusará. Podemos inferir o dano devastador que essa postura de prepotência epistêmica prévia causou sobre qualquer pretensão séria de estabelecer uma alternativa à Teoria da Evolução vigente. Qualquer pessoa que, como eu próprio, tinha expectativas sobre a construção de uma teoria real para investigar a possível existência de um planejamento existente na natureza, que nutria alguma esperança de ser possível detectar sinais prováveis de interferência intencional na evolução, tiveram que se frustrar e se resignar a duas alternativas. Ou insistir e ser engolido por fraudes como o Design Inteligente, passando a ser considerado representante de algo que jamais pretendeu ser e tendo seu pensamento roubado para subsidiar conservadorismo disfarçado de progressismo. Ou simplesmente desistir e preferir se concentrar em combater a cruzada conservadora contra o desenvolvimento do pensamento, antes que essa causa um dano tal que não só prejudique a produção científica padrão, como frustre qualquer possibilidade de se estabelecer uma alternativa real à mesma. Sim, pois qualquer iniciativa séria de tentar detectar evidência de um possível planejamento ou qualquer mecanismo alternativo à simples Reprodução-Variação-Seleção, não pode tolerar se misturar com iniciativas que no fundo não tem outro objetivo a não ser arrastar os incautos às igrejas. E não estou dizendo que esteja insatisfeito com os rumos do Evolucionismo biológico atual, mas apenas com o fato de ele não poder dialogar seriamente com hipóteses alternativas, como podem fazê-lo as Teorias do Big-Bang, da Relatividade ou das Supercordas. Ao menos de uma coisa, os criacionistas poderiam poupar a sociedade. De dizer que estão interessados no bem do conhecimento e na qualidade da produção científica, e que o evolucionismo é um erro que tem gerado maus resultados em termos estritamente científicos. Que diga que pressupostos evolucionistas sejam prejudiciais nos campos sociais, políticos, éticos ou religiosos é uma coisa que merece ser discutida (como já fiz em Ética e Evolução e Revolução Biológica), mas dizer que ele tenha sido prejudicial à ciência não tem outro nome a não ser "Fraude Intelectual". Até agora, em seu quase um século de história, esmiuçada em A Evolução do Criacionismo, os criacionistas foram absolutamente incapazes de produzir uma única contribuição à ciência. Ou melhor dizendo, um pressuposto criacionista, ou de Design Inteligente, é absolutamente inútil para qualquer fim concreto em termos de produção científica. Pode até não atrapalhar, mas certamente não ajuda. Pode-se até tê-lo em mente ao realizar alguma pesquisa, mas será tão inócuo quanto rezar Ave Maria enquanto se espera o resultado de uma análise de DNA. Frequentemente os criacionistas alegam que são discriminados e sofrem perseguições, o que apenas serve de desculpa para sua completa incompetência como cientistas, visto que dinheiro não lhes falta, e já tem, ou alegam ter, instituições de pesquisa próprias. Com um esforço mínimo, os criacionistas poderiam mobilizar igrejas e fiéis e arrecadar fortunas impressionantes, direcioná-las para fins de pesquisa científica em qualquer área e conduzí-la sob seu paradigma religioso. Poderiam investir em qualquer coisa, em produzir vacinas, descobrir cura para doenças, fazer pesquisas termodinâmicas e etc. Se houvesse UM ÚNICO resultado minimamente aproveitável, ele seria muitíssimo mais útil à causa criacionista do que toda a incessante produção pseudo teórica que se contenta em penetrar no ensino básico. E creio que isso seja óbvio. O que fez a Biologia ser o que é, sob o paradigma evolucionista, foram seus resultados concretos. Mas é claro que isso jamais ocorrerá. Os criacionistas e DIstas sabem muito bem que não tem chance alguma de produzir qualquer resultado relevante porque seu pressuposto é completamente desassociado da investigação natural. É, e sempre será, apologética religiosa. Iniciado em 22/02/10 e retomado em 13/05/10
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